Mamede Gilford de Meneses
Itapipoca / CE

 

 

Fragrância

 

Estávamos a estudar
Na sala nobre da casa...
E o sol com matiz-brasa
Obrigou-nos mudar
Para o lado leste
Da área mais pequena
Aonde a brisa era amena,
Quando fizemos o teste.
Lá, os nossos olhos
Enxergaram a essência
Doutrinária da ciência
Etérea sem atalhos;
Enquanto o nosso olfato
Imune a censura
Inalava a sempre pura
Fragrância do abstrato.
Por sequência de horário,
Voltamos à mesa...,
E cheios de lhaneza
Recitamos o rosário,
Pedimos unção da água,
A tomamos alegremente
E saudamos misticamente
O corpo, a mente e a alma
Das anfitriãs do dia:
...Ivanesa a bem-humorada,
...Ivani a dama prendada
E a pré-adolescente Sofia;
Todas nascidas no mês primeiro
Do calendário Cristão pioneiro.

 

 

 

 
 
Poema publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - vol. 159 - Abril de 2018