Neri França Fornari Bocchese
Pato Branco / PR

 

 

Quem somos

 

 

Negros,  Amarelos ou  Brancos,
Também  Vermelhos.
Olhos de Jabuticaba
Ou amendoados, para proteção
Ainda podem ser azul da cor do Céu.
O que importa?
Todos eles, para enxergar,
Têm as janelas da alma.

Trazem o cabelo encarapinhado,
Verdadeira obra de arte.
Ainda podem ser castanhos encaracolados.
Quem sabe ralos quase brancos.
Desde o Grande Dia,
Com o Sopro Divino, houve o Princípio
Todos sim, gerados num belo ninho,
Nasceu, chorou
Alimentou-se, cresceu,
Sentiu frio, também teve fome.
Iguais, na essência humana.
O preconceito está na alma
De quem não traz a história
Na palma da mão.

A humanidade usa a razão, a sapiência
Desde os tempos  idos, envolvida em emoção
Assim  sobreviveram.
Todos, sem exceção
Trazem resquícios de tempos passados,
Pois fomos, negros na Criação.


 

 

 
 
Poema publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - vol. 162 - Julho de 2018