José Faria Nunes
Caçu / GO

 

Ilusória pretensão

 

Um dia sonhei com tua existência.
E no sonho vi teu nascimento.
Outros sonhadores vi à tua volta.
E tu, ainda que tênue, ganhaste
importância para mim assim
como para tantos outros.
Um ano, dois, três, dezenas, quase adulta
foste cantada em prosa e verso.
Chegaste ao momento sonhado
de decidir o próprio caminho.
Quinze primaveras somadas
Verões, outonos e invernos.
Como eu assumi minha jornada
o mesmo pensei para ti.
Qual minha surpresa: em vez
de assumir a vida adulta
persistes nas fantasias juvenis.
Fizeste ouvidos moucos
aos meus apelos. E eu
qual estrela cadente hoje decreto
tua independência de minhas vontades.
A partir desta hora podes seguir
sem prestares atenção aos apelos
deste sexagenário escrevinhador.
Podes caminhar sem mim.
Longe de mim a pretensão
de persistir na tutela dos sonhos
de minha verve de quinze anos
passados naqueles tempos
de minha ilusória pretensão.
Eis o caminho aberto: todo seu.

 

 

 

 
 
Poema publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - vol. 166 - Novembro de 2018