Rosemary Gobbo Duarte
Campinas / SP

 

 

Buquê de intenções

 

 

Esquecer de vez as metas inatingíveis
que já ficaram para trás.
Ignorar a pressa impertinente do tempo.
Acordar sonhos há tempos adormecidos.
Organizar atenta e prudentemente
as constantes indagações que a vida nos faz.
Expor-se ao sol da manhã, independentemente
da Estação do ano para maior absorção de cálcio
e vitamina D pelo organismo.
Abrir as janelas ao ouvir o vento assobiar para assistir
o incrível balé das anciãs folhas do Outono.
Deixar-se envolver pelo charme das frias noites de Inverno...
elas aproximam mais as pessoas.
Procurar olhar mais pra quem segue a seu lado...
muitas  vezes, só um sorriso basta-lhe como atenção.
Habituar-se a andar descalço para perceber
a energia que emerge da terra e a sensação de liberdade.
Orar sempre... e pedir proteção Divina à si próprio
aos carentes, desabrigados e desassistidos.
Passear mais pelos jardins e renascer
como se todo dia fosse Primavera.
Perdoar-se mais por erros ou equívocos
cometidos  inadvertidamente.
Conectar-se mais com o mundo das letras
e com sons celestiais dos bosques... eles responderão
a diversos questionamentos.
Envolver-se em discussões sociais sobre preservação
do  meio ambiente e formas de sustentabilidade
que afetam, com certeza, a todos nós.
Mirar-se, por alguns instantes, no espelho... de repente
poderá visualizar outra face [interior] até então
desconhecida e surpreender-se.
Silenciar, piedosamente, toda vez que um tolo gritar...
talvez, ele necessite viver um dia de fama.

 

 

 
 
Poema publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - vol. 170 - Abril de 2019