Alberto Magno Ribeiro Montes
Belo Horizonte / MG

 

 

A pedra

 

Era uma vez…era uma vez…uma pedra.
Não era a drummondiana pedra
Do meio do caminho
Tampouco a do fundo do rio.
Era uma pedra suspensa no ar
Como um pêndulo sobre minha cabeça
A todo momento propensa a cair
Dilacerando meu cérebro.

Essa estranha pedra, às vezes sorria
Gargalhava sozinha lá…pendente.
Seu maior prazer era enlouquecer-me
Amedrontando-me a todo instante
Naquela insana tortura.

Dia após dia provocando-me, sem sucesso
Desistiu de seu intento de matar-me
Assim desiludida,  juntou-se a tantas outras
Pedras, tornando-se apenas
Mais uma esquecida no meio do caminho.

Uma pedra…às vezes é apenas mais uma pedra…

 

 

 

 
 
Poema publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - vol. 179 - Janeiro de 2020