Antonio Laurentino Sobrinho
São Paulo / SP

 

 

Pôr do sol no Parque do Carmo

     

             

Uma tarde de 5 de julho, um pôr do sol inesquecível num lugar lindo para os amantes da mãe natureza.
São Paulo tem poucos lugares onde podemos contemplar o pôr do sol; o Parque do Carmo é um desses lugares encantados. Ao lado do planetário, é o melhor lugar para se admirar o pôr do sol, o nascimento do luar e o brilho fulgurante das estrelas.
Em plena estação do inverno, o sol se fez presente durante toda a tarde para alegria dos amantes da natureza. Um pôr do sol inesquecível, com as cerejeiras em tempo de dormência. Quem não as conhece fica pensando que elas estão mortas, o gramado cheio de casais de namorados, esperando aquele pôr do sol,
O gramado com crianças brincando por todos os cantos, uma tarde festiva, os pais com seus filhos, outros com seus cachorros, enfim, todos com o mesmo objetivo: Ver o pôr do sol.  
Eu tinha ido ao parque para visitar o planetário, mas mais uma vez estava fechado, sem nenhum funcionário para dar explicação ao visitante.
Entra prefeito do PT e sai prefeito do PSDB, tudo continua a mesma coisa, ou seja, o mesmo abandono,  o mesmo descaso, com os munícipes, os verdadeiros donos do parque, afinal de contas somos nós quem pagamos os impostos que mantêm esta maravilhosa área de lazer, no extremo Zona Leste.
Originalmente, os  primeiros ocupantes dessa região foram três tribos indígenas: Itaquera, Guaaguaçus e Guaianás. Assim surgiam os bairros de Itaquera e Guianases.  O parque, um lugar lindo com uma reserva de Mata Atlântica, uma verdadeira floresta dentro da selva de pedra.  Para que o parque aumente a quantidade de visitantes precisa de benfeitorias. Os aparelhos de ginástica são os mais  malcuidados.
A administração do parque poderia criar uma agenda cultural, levar música clássica, pois em sua estrutura há um bom anfiteatro.
Durante todos estes anos que frequento o parque nunca presenciei nenhuma atividade cultural, a única coisa que todos podem ver com frequência são os casais de quero-quero. Um lugar que tem tudo para ser uma atração fantástica para toda cidade se não fosse o descanso das autoridades.
Esta área era uma fazenda; Fazenda nossa Senhora do Carmo, propriedade do coronel Bento Pires, depois foi vendida para o engenheiro Oscar Americano de Caldas Filho.  Finalmente nos anos setenta,  a fazenda foi desapropriada pelo prefeito Olavo Egydio Setubal, que criou o parque do Carmo  que virou a principal atração  do bairro.
O parque do Carmo conta  com 1.500.000 milhão de metros quadrados, ele reúne cerca de seis mil árvores e oferece uma infraestrutura completa, com aparelhos de ginástica, anfiteatro, campos de futebol, ciclovia, pista de caminhada, playgrounds, churrasqueiras, bosque de leitura, museu do meio ambiente e um monumento à imigração japonesa.
Em 2012, o então prefeito Gilberto Kassabe firmou uma parceria com o banco Itaú para a revitalização do parque, no mesmo ano, por interesse político o Parque foi rebatizado de parque Olavo Egydio Setubal.

 

 

 

 




Conto publicado no livro "Contos de um tempo sem fim" - Edição Especial - Setembro de 2020

Visitei a Antologia on line da CBJE e estou recomendando a você.
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