Helena Maria S. Matos Ferreira
Guapimirim / RJ

 

 

 

Por trás das Penas?

 

 

Por trás dos panos, outros panos, quem sabe, planos?
Sempre existe algo guardado e também inusitado por trás das coisas e das pessoas. A transparência só existe nas crianças.
Vejam a incrível sabedoria da natureza: um grilo que já nasce disfarçado; um calango, uma lagartixa, que tomam as cores e feições do espaço em que se encontram.
“Por trás dos panos”, até os lençóis e colchas estendidos no varal podem ocultar alguém que pretende bisbilhotar a vida alheia.
Os mais antigos gostavam de usar tal expressão para se referirem à falsidade ou à traição de alguém.
Até os pássaros se camuflam e sorrateiramente roubam os ninhos de outros, que constroem com amor e paciência seus pequenos e engenhosos lares. Ficam quietos, escondidinhos, esperando a primeira oportunidade para tomarem conta daquilo que não lhes pertence. Isto é uma usurpação “por trás dos panos”. Ou por trás das penas?
Muito comum também na política. Tramam “por trás dos panos” e o povo nem desconfia. Deixemos tais fatos para quem entende, já que não é o meu caso.
Desde o tempo de Adão e Eva que coisas acontecem “por trás dos panos”. A serpente convence Eva a comer do fruto proibido e Adão por sua vez acredita na sua companheira. O resultado: colhem a maçã, (porque Eva não pode levar a culpa sozinha), comem-na e Deus quando os questiona diz-lhes: “Vocês fizeram tudo por trás dos panos”. E aí a humanidade perdeu-se e paga até hoje pela desobediência.
O melhor é assumir o que fizermos em vez de agirmos “por trás  dos panos”.
O antônimo de “por trás dos panos” seria transparência, sinceridade.

 

 





Conto publicado no livro "Por trás dos panos" - Contos selecionados
Edição Especial - Janeiro de 2021

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