Marina Moreno Leite Gentile
São Paulo / SP

 

 

O amigo virtual

                

Em meados de 2008/2009 conheci um site interessante,  onde se podia ler e comentar  crônicas, onde posteriormente  também passei a colaborar.  Era um grupo  com boas histórias para contar.   Foi ali que observei algumas pessoas incríveis, entre elas alguém que se tornaria um frequente amigo virtual.
Fiquei tão encantada com as suas publicações, que além de comentar no próprio site,  também  enviava  mensagem diretamente para o seu e-mail.   Não demorou muito, obtive retorno.  Era um cavalheiro muito inteligente.  A inteligência atrai!   Eu lia tudo que ele postava, inclusive  fiz questão de adquirir seus livros,  dois deles ganhei com o privilégio de autógrafo.    
Depois de alguns anos trocando  e-mails com certa frequência, em 2018  tive o privilégio de obter o watsap dele e desta forma facilitou a comunicação.   Era gratificante receber suas mensagens, pois sempre continha algo construtivo,  que enaltecia o dia.  Constantemente permanecia no aguardo das  mensagens, mas às vezes ele viajava e só no retorno eu tinha notícias.   O tempo foi passando. 
Em um determinado momento, senti que as férias dele estavam mais prolongadas.   Achei estranho,  mas fiquei esperando,  como sempre.   Consultava a caixa de entrada e nada, no watsap idem.  Como  alguma notícia não acontecia,  fiz uma pesquisa na internet, a fim de tentar descobrir algo, mas nada a acrescentar.   Continuei na minha rotina.   Porém, o tempo passava e eu Já incomodada com a ausência, certa manhã fiquei imaginando se de repente algum racker  teria clonado meu número e enviado alguma mensagem estranha,   que ele não tivesse gostado. Sei lá, tudo é possível.  Algo parecia estranho, era preciso descobrir.  Foi então que cliquei o nome de sua filha em uma rede social, consegui localizá-la.  Imediatamente visualizei uma foto de meu amiguinho virtual.  Tão bonitinho na foto!
Todavia, para meu desencanto e choque, não gostei do que li, pois logo acima de sua imagem   acabara de constatar que realmente ele estava viajando, só que desta vez... para sempre.  O meu amiguinho virtual partira  para a eternidade, havia vinte dias.  Eu me sentia próxima dele, mas  fui apenas uma amiga virtual, portanto soube  assim.  Que triste.
A partir deste momento não parei de pensar no meu amigo virtual.   Nossa amizade era boa, saudável, respeitosa.  Éramos ouvintes,  virtualmente falando.   De minha parte,  nutria o desejo de conhecê-lo pessoalmente.  Desejei  este encontro, mas não tomara a iniciativa com receio de ser mal interpretada.  Quem sabe ele tenha sentido o mesmo!  Só sei que isto não aconteceu.  Contudo, se de um lado nunca nos vimos pessoalmente,  por outro lado nos conhecíamos através dos textos, dos livros,  bem como das alegrias compartilhadas  ao outro através do computador e celular.  
 Com a constatação de sua partida, chorei de tristeza como se ele fosse alguém de minha família. Sinto-me enlutada e me solidarizo com seus familiares.   Ele foi um bom exemplo como pai, esposo, amigo e contribuiu com louvor  com  a nossa sociedade,  como médico, professor, escritor etc. , sobretudo como alguém que amava viver e estudar.  Certamente encontra-se em um bom lugar.   Faz parte da vida, mas como é difícil aceitar a partida de quem gostamos!   Só sei que foi assim...   Adeus amiguinho, Dr. Álvaro Glerean.  

 

 

 

 

 
 
Publicado no Livro "Só sei dizer que foi assim..." - Edição 2019 - Julho de 2019