Neri França Fornari Bocchese
Pato Branco / PR

 

 

Pindorama - suas vozes

 

Unificado pela última flor de Lácio
Com um colóquio macio,
Foi  um tanto amorosa,  até consentiu
Aos gentios e os Tupi-guaranis
No farfalhar do caá, na embaúba, prevaleceu
Ibitinga, Terra Brasil, com o coaraci
A Ceci com Quiriri, na ternura kamaiurá.

Com uma pernada, pedir arrego ao caipira
Assuntar a cabocla, nada jururu.
Com  dengo, fazendo cafuné no moleque.
A beira do rancho, apeei pra prosear.
Ouvi a voz da mainha convidando
Para saborear jerimum.
Sai dos Pampas para isbiutar
Deixei  o minuano assobiando
Nesse mundaréu brasileiro gauderiar.

Ali na quitanda, ter um dedo de prosa
Com um nativo ribeirinho comer beiju
E, não se esquecer da moringa
Com o surrão, passar na Caatinga.
Ser cabra da peste, sem medo
De ave de mau agouro.
Voltar para as canhadas farroupilhas
Brasear o churrasco no galpão
Sorvendo o bom chimarrão,
Ao choro da gaita campeira
Nos braços da chinoca,
Sob as asas do Cruzeiro do Sul.


 

 

 

 

 

 
 
Poema publicado na Antologia de Poetas Brasileiros - vol. 167 - Janeiro de 2019