Anderson Jean Chaves de Mendonça
Caucaia / CE

 

 

O cobrador Omer

 

 

Omer era um jovem senhor de 40 anos, pai de menininha de 6 chamada Joyce. Era casado com Margarida, e morava na cidade chamada Buraco de Cima.
Trabalhava numa grande empresa de ônibus, era cobrador havia 11 anos e amava seu oficio. É bom dizer que ele trabalha nesta empresa antes mesmo de ser maior de idade, começou com lavador dos carros, passou para zelador da garagem e depois teve a oportunidade de ser promovido a cobrador. Já trabalhou como motorista na mesma empresa, mas foi como cobrador que ele se realizou como profissional.
Omer pegava trabalho às seis da manhã. Entrava no coletivo, arrumava o acento e a caixa onde colocava o dinheiro e fazia todo o check list. Separava o troco tudo certinho, passava um bom ar para ficar um cheirinho agradável e depois recebia o motorista com um bom dia harmonioso, o mesmo cumprimento que dispensava aos passageiros. Diga-se de passagem, que Omer apesar da situação fora trabalho, sempre estava com um sorriso no rosto. Ele era uma pessoa atenciosa, prestativo e amigo, além de muito perspicaz e educado.
A rota J da linha 325 era muito usada pela população. Havia passageiros que todos os dias pegavam aquele coletivo e já tinha amizade e admiração pelo nobre Omer. Também com companheiros de trabalho isso acontecia.
Sempre tinha moedas para passar o troco, facilitando a vida dos passageiros e ganhava tempo, sem os fazer esperar. Sabia dos os endereços, o que fazia dele um excelente informante, ajudando os passageiros perdidos.
Mas um belo dia de sexta-feira, Omer não apareceu para trabalhar. Seu gerente ligou e o telefone só chamava sem ninguém atender. Tentou também ligar para a esposa do cobrado, sem sucesso. Com isso, Geraldo o gerente, ficou muito nervoso e desligou o telefone, que logo a seguir  tocou, era a esposa de seu colaborador, ela estava nervosa e queria saber o que havia acontecido. Sem saber informar, seu Geraldo disse apenas que iria verificar e depois retornaria.
Naquele dia tudo virou de cabeça para o ar, o motorista demorou a sair com o ônibus da garagem, pelo fato de não ter o seu companheiro como de costume, foi remanejado às pressas outro cobrador, e com isso, o ônibus atrasou, os passageiros de sempre também estranharam, foi o maior fuzuê.  E ninguém sabia o por quê.
Sua esposa chegou à garagem, seu Geraldo andava de um lado para o outro, os funcionários que ali estavam, ficavam pelos cantos falando baixo e nada ainda de novidades.
Naquele mesmo dia à duas da tarde, exatamente no horário de saída do trabalho Omer chega a garagem para bater o ponto, como se nada tivesse acontecido. Chegou, cumprimentou a todos que ali estavam com um boa-tarde e logo depois foi ao vestiário mudar de roupa. Todos estranharam a atitude de Omer, sua esposa foi atrás dele e lhe deu um forte abraço. Omer virou pra ela, olhou em seus olhos e lhe perguntou: Quem é você moça? - Ela sorriu! Depois perguntou que brincadeira era aquela. Ninguém entendeu mais nada, seu Geraldo perguntou o que havia acontecido e por que ele estava chegando naquele horário? Sem entender nada também, Omer arregalou os olhos:
- Foi um mal-entendido? O que aconteceu? Por quê?
Explicando: Omer, teve uma dor de cabeça tremenda e desmaiou, ao tornar não se lembrava de mais nada. Geraldo o levou ao hospital e depois de muitos exames, foi constatado que ele havia sido cometido de um mal subido, com perda de memória temporária. Os médicos disseram que ele iria ser medicado e acompanhado pela equipe do hospital, é claro teria que se afastar das atividades do trabalho por algum tempo.
No dia seguindo ele acordou no mesmo horário e, como sempre, saiu para trabalhar. Chegando na garagem foi parado por seu Geraldo que lhe perguntou o que estava acontecendo com ele, pois deveria estar de repouso em casa.
Todos os dias Omer fazia a mesma coisa, até que um dia ele teve uma ideia que mudou a vida de todos. Omer pediu que pudesse ir todos os dias no ônibus, e assim foi aceito e decido. Ele ia e fazia a viagem normal todos os dias, só não pegava em dinheiro. Foi adaptado outro acento para ele e ele fazia as coisas corriqueiras normalmente, falava com os passageiros, dava informação de endereço, recebia a todos com aquele belo e grande sorriso e agora ainda contava piadas.
Final feliz para todos na rota J da linha 325.

 

 

 

 
 
Poema publicado no Livro de Ouro do Conto Brasileiro - Edição 2018 - Agosto de 2018